A melancolia em melodia, com a banda Camarilo

Com dois EPs lançados, a banda surgiu no cenário capixaba em 2011 e, desde então, desenvolve seu trabalho de forma independente. Conheça!

A melancolia ganhou melodia, ritmo e harmonia nas músicas da banda Camarilo – que há quatro anos desenvolve um trabalho completamente independente e autoral no cenário capixaba. Com dois EPs lançados, o grupo conta com Paulo Fagundes, na guitarra e no vocal; Luis Oliveira, no baixo; Nicolas Azevedo, na bateria; e Gabriel Calil, também na guitarra.

A banda nasceu de uma forma simples. O Paulo conheceu o Nicolas e o Calil ainda na época da escola e costumavam tocar juntos. Tempos depois, eles conheceram o Luis e, então, em 2011, veio a vontade repentina de montar uma banda. O nome do grupo surgiu de uma referência à música “Camarillo Brillo”, do americano Frank Zappa.

“A gente se viu com o mínimo de coisas que teoricamente alguém precisa pra ter uma banda ‘de verdade’ - algo que a gente quis fazer durante boa parte da nossa vida. E a partir daí só precisávamos começar a existir como banda de alguma forma. Passamos dois anos tocando e gravando as músicas só pra gente, num estúdio improvisado na casa do Luis. Quando percebemos que talvez fosse o momento de expor o resultado dessa experiência, aconteceu o primeiro EP”, conta o vocalista Paulo Fagundes.

Com letras intensas, as músicas do grupo formam um quadro coeso, aliando letra e melodia, recheado de pausas instrumentais.  “Escrever as letras é a parte mais complicada. Existe uma pretensão estética por trás delas sim, mas eu não me atreveria a chamar o que a gente escreve de poesia. O que a gente tenta fazer é voltar nossa atenção pra música em si, e as letras são um meio de intensificar essa espécie de ambientação que cada música cria, ou que esperamos que crie”, explica o vocalista.

Camarilo EP e Souvenir
Levando o próprio nome da banda, o primeiro disco da Camarilo foi lançado em setembro de 2013 e trouxe quatro faixas autorais. Como um cartão de visitas, o EP apresenta um trabalho que, acompanhado da poderosa voz de Paulo Fagundes, demonstra o que são as músicas do grupo: sentimento. Ouvir Camarilo é como uma sensação, meio melancólica, meio saudosa. Ideal, quem sabe, para um dia frio e chuvoso.

“O Camarilo EP foi o mais difícil de produzir, porque tem todos os instrumentos que se espera ouvir numa banda de rock e nós gravamos todos eles sem nunca ter pisado num estúdio de verdade. Foi tudo no quarto do Luis”, explica Paulo. Mas, logo depois, em dezembro do mesmo ano, a banda lançou seu segundo EP, chamado “Souvenir”. Do francês, o título do disco, em tradução literal, significa “lembrança”, no sentido de um artigo, um presente.

Por ter nascido em uma madrugada natalina, a ideia era justamente essa: que o disco fosse como uma espécie de lembrança que mostrasse um outro lado da banda. “Acho que aprendemos bastante com esses dois EPs e nos permitimos sentir um pouco de orgulho também. Mas ainda tem muita coisa pra acontecer”, afirma o vocalista.

Música na internet
Quem trabalha com música de forma independente, especialmente no cenário capixaba, parte quase sempre de um pressuposto comum: a redução dos gastos. Isso implica, muitas vezes, em como apresentar as músicas ao público. A partir daí, surgem diversas alternativas, como os Álbuns Splits, discos divididos por dois ou mais artistas; os próprios EPs (extended plays) que são como miniálbuns, com menos músicas que um CD; e, também, é claro, a internet.

“Enfrentamos as mesmas dificuldades que todo mundo que começa alguma coisa enfrenta. A gente fez o que podia ser feito, mas foi com muita dedicação e cuidado”, conta Paulo. Em um estúdio improvisado na casa do baixista do grupo, a Camarilo gravou suas músicas e as divulgou gratuitamente na internet. De forma parecida, outros artistas capixabas têm desenvolvido seus trabalhos, como a banda The Single Malt (TSM) e a cantora Ana.

“Acho que a internet proporciona uma facilidade enorme de qualquer coisa passar a existir a qualquer momento. Pra gente isso funcionou, porque sem ela a Camarilo não existiria pra mais ninguém além de nós quatro e um pequeno círculo de amigos. Mas acredito que, às vezes, isso possa provocar um sentimento ambivalente. A música na internet é muito recorrente e ‘chegar’ até as pessoas é um desafio. Mas estamos aprendendo, até criamos um Instagram (risos)”, explica o vocalista.

E novidades vêm por aí! A Camarilo começou a produzir o seu primeiro álbum e ele deve ser lançado ainda neste ano, junto a alguns videoclipes. “Estamos com boa parte das músicas já prontas e logo menos começamos a gravar. E num estúdio de verdade dessa vez (risos)”, conta Paulo.

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