André Prando lança disco com música inédita de Sampaio

Primeiro álbum solo do músico, “Estranho Sutil” será lançado na próxima quarta-feira (1º), no Teatro Universitário, em Vitória
 
André, uma figura. Daquelas que quem vê, reconhece. Está sempre disposto a uma conversa, a um bom dia, a uma filosofia qualquer. Prando é cantor e compositor. Lançou, em janeiro de 2014, seu primeiro EP com quatro faixas autorais. As facetas se misturam em uma única persona, André Prando, que lançará seu primeiro disco, intitulado “Estranho Sutil”, na próxima quarta-feira (1º), no Teatro Universitário, em Vitória.

“Como que grava um disco foda sem dinheiro? Não dá”, questiona o músico. André é um artista independente, ou seja, não tem contrato com nenhuma gravadora. Por isso, para conseguir produzir esse seu novo disco, ele contou com recursos de uma lei de incentivo da Secretaria de Cultura do Espírito Santo.

“Felizmente, com essa grana, eu pude investir inteiramente na gravação do disco. Foi gravado no estúdio Torre Inc, sob produção de Rodolfo Simor, um cara talentosíssimo com uma atenção grande com a intenção do artista. Começamos a produção em dezembro de 2013 e terminamos em fevereiro de 2015”, explica.

De mendigo cientista a um estranho sutil
Nascido e criado em Vitória, André Prando não é filho de músico, nem cresceu aprendendo algum instrumento. Sua musicalidade não vem de sangue, mas da alma. Cresceu nos anos 90, ouvindo discos d’Os Saltimbancos e de Raul Seixas que, frequentemente, seu pai colocava para tocar.

“Olhar aquele vinil com uma figura tão excêntrica de óculos escuros e barba longa na capa me marcou muito, adorava as músicas malucas do maluco beleza. Com o passar dos anos eu me interessei por desenhos e poesia. Aos 13 anos eu comecei a aprender violão com uns amigos, meu objetivo era aprender a tocar para poder musicar essas poesias que surgiam. Acho que começou assim”, diz.

Com o tempo e, é claro, com a ajuda da internet, ele foi descobrindo um universo musical que, até então, desconhecia. Ainda na adolescência, formou, ao lado de quatro amigos, uma banda de rock chamada Mendigos Cientistas. A barba cresceu e o cabelo também. Aliado aos óculos de armação quadrada, André parecia fazer cada vez mais jus ao nome do grupo.

Hoje, ele se dedica apenas a sua carreira solo. No ano passado, lançou o disco “Vão” com quatro músicas autorais. Suas composições refletem seus pensamentos abstratos, suas filosofias, suas reflexões. Nelas, há poesia, ironia e também um tom psicodélico, quando somadas a sua potente voz.

“O que eu passo em minha música é a minha verdade, esse é o ponto. Minha perspectiva sobre as coisas que estão aí. Consequentemente, sai muita ideia abstrata, tem coisas que eu sei que fogem do senso comum. [...] Conceitualmente, eu digo que meu discurso aborda a ‘beleza do feio’. Então, eu não estou falando somente de real/surreal, abstratismo, psicodelia, eu tô falando de perspectivas. Acho que deu pra entender que são músicas que estimulam filosofia, né? Eu devia estudar um pouco mais de filosofia”, explica.

Compositor da nova geração, André está em constante diálogo com músicos de outras gerações. Entre os artistas que o influenciam, estão Os Mutantes, John Frusciante, Beatles, Guns n’ Roses, Angra, Raul Seixas, Alceu Valença, Zé Ramalho e, claro, o “maldito” Sérgio Sampaio.

Estranho Sutil
Além de oito composições próprias e uma de Augusto Debbané, o primeiro disco solo de André conta, também, com uma música inédita de Sérgio Sampaio, chamada “Última Esperança”. Ela, inclusive, ganhou um clipe gravado pelas ruas de Vitória, lançado no último dia 16, com produção do Expurgação, direção de Gustavo Senna e co-produção de Global Village.

Fã assumido de Sampaio, André já participou de diversas homenagens ao cantor e está sempre pesquisando sobre a vida e obra do músico. Entre um clique e outro, ele encontrou no Youtube um registro, caseiro e informal, no qual ele cantava a música “Última esperança”, nunca gravada.

“Daí encasquetei que era um musicaço. Com um pouco de pesquisa e lendo a biografia de Sérgio, eu descobri que era uma canção que falava da catástrofe do incêndio do Edifício Joelma (nos anos 70, em São Paulo), misturando o horror da situação com reflexões sobre uma ‘última esperança’ em geral... Um último suspiro, uma última tentativa. Filosofei um bocado”, afirma.

Ele tocou a música pela primeira vez no Festival Sérgio Sampaio em 2013 e, desde então, decidiu incluí-la no repertório de seus shows. Tempos depois, André apresentou a ideia a João Sampaio, filho único de Sérgio, que se interessou e o ajudou a chegar aos direitos autorais da música com a editora.

“Como fã é uma honra gravar uma música de Sérgio. Algo muito delicado que mistura alegria, sutileza, responsabilidade. Mas é algo que, quando se mistura com minha intenção artística, acaba desmistificando a responsabilidade como um todo e acaba se manifestando como irreverência, que é algo que Sérgio tinha de sobra. Meti minha identidade na canção e entrei na onda do horror misturado com um tom surreal e psicodélico, que também é bem retratado no videoclipe”, diz.

Lançamento
O show de lançamento de “Estranho Sutil” acontecerá na próxima quarta-feira (1º), no Teatro Universitário, a partir das 20h30. No dia, o álbum estará à venda pelo valor promocional de R$15. Será o evento de abertura do projeto Aquarela Capixaba que promoverá, ao longo do ano, diversos shows como forma de valorizar a produção musical do estado.

No palco, irão acompanhar André, os músicos Bruno Massa (baixo), Henrique Paoli (bateria), Wanderson Lopez (guitarra) e Rodolfo Simor (guitarra). Além disso, o show contará com duas participações especiais: Augusto Debbané, autor da música “Vestido Cor Maçã”; e o grupo A mesa, que participou da gravação de “Choro Plebeu”.

“O público pode esperar um grande espetáculo de fortes emoções, muito rock e muita psicodelia. Conta como participação, também, a galera que trabalha no espetáculo em geral. Vamos ter projeção da galera do PixxFluxx e a mão artística do iluminador Vitor Lorenção. O show promete!”, conta André.

Tem quem ache graça e se pergunte por que o show será realizado, justamente, no dia 1º de abril, no Dia da Mentira. “(risos) Dentro das possibilidades, foi escolha minha. Mas nem é brincadeira, gosto da energia que dias emblemáticos como esse carregam. Eu aposto um show que é tudo verdade”, afirma.

Os ingressos para o shows estão sendo vendidos na bilheteria do teatro e, também, pelo siteIngresso.com.

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