Conheça o blues-rock da banda The Muddy Brothers

Formado há dois anos, em Vila Velha, o grupo lançou recentemente seu mais novo EP, o “Seasick”, com cinco faixas inéditas

Há dois anos, em Vila Velha, três amigos se juntaram e decidiram formar uma banda. Na mesa do bar, a conversa era para decidir o nome do futuro grupo que iria misturar influências do rock’n’roll e do blues americano. Pensaram em uma série de nomes, até decidirem fazer uma homenagem ao “pai do chicago blues”, o músico Muddy Waters. Do trio, dois são irmãos, então não restaram escolhas: a nova banda iria se chamar The Muddy Brothers.

Formada por João Lucas, no vocal e na gaita, Will Just, na guitarra e no violão, e Renato Just, na bateria, a banda já tem um disco e um EP lançados. A influência de Muddy Waters, é claro, não está apenas no nome. Segundo o baterista Renato Just, “Handmade”, primeiro disco da banda, teve como forte inspiração o álbum “Eletric Mud”, do blues-man americano. Com 11 faixas autorais, o álbum foi gravado e produzido de forma independente, em Vila Velha, e lançado no final de 2013.

Festival Planeta Terra
Na mesma época, em 2013, a Muddy Brothers competiu com mais de 300 bandas e foi a vencedora do concurso "Rock on Top", patrocinado pela AXE e pelo Club NME Brasil. Por ter vencido a disputa, o trio fez o show de abertura do Festival Planeta Terra 2013, onde também se apresentaram Beck, Blur, Lana del Rey, The Roots, Travis e outras bandas.

“Quando a gente ficou sabendo que a gente ia abrir o festival, deu um frio na barriga, um nervosismo, porque a gente era uma banda que tava no início, tínhamos um ano de banda. A preocupação maior era mostrar nosso serviço no palco. Aquela preocupação de banda, de tocar num palco grande, com um monte de artistas já conhecidos. Foi uma experiência muito boa, a gente fez contato com o pessoal, deixamos nosso CD”, conta Renato Just.

O festival apresentou o som da Muddy Brothers para muitos outros estados brasileiros e permitiu diversas conexões já nos bastidores do evento. Uma delas foi com Smokey Hormel, guitarrista do Beck. “O guitarrista do Beck é muito fã da música brasileira, então meu irmão [Will] pegou a viola e começou a tocar Asa Branca. E ele foi e entrou no meio e começou fazer junto com a gente, cantou até uma parte em inglês”, lembra Renato.

Novo EP
Participar de um evento nacional como o Planeta Terra logo após ter lançado um disco fez com que o nome da banda saísse em diversas resenhas e matérias de jornais e de portais online. Muitas das análises compararam a voz de João Lucas com a de Robert Plant, ex-vocalista do Led Zeppelin. Para tentar fugir um pouco dessas comparações, o grupo decidiu experimentar outros caminhos e lançou o EP “Seasick”, com cinco faixas inéditas bem diferentes umas das outras.

“Tem o blues nesse álbum, mas tem algumas experimentações, algumas pitadas psicodélicas. Não foge exatamente, porque é a gente tocando, mas dá pra perceber que tá um pouco diferente. E é uma diferença, na minha visão, que quem ouve vai saber que é a banda, mas vai saber também que a gente deu uma evoluída”, afirma o baterista. O EP foi gravado em São Paulo e lançado em um show na capital paulista, ao lado de outras bandas como a The Outs.

Cena independente nacional
A experiência de se apresentar fora do Espírito Santo tem colocado a Muddy Brothers em contato com diversas outras bandas, possibilitando novas parcerias. “Lá fora a galera é tipo uma família, porque o pessoal sabe que se a cena não se juntar, não anda. A galera depende muito de custos pra poder circular, então o pessoal apoia mesmo. Acho muito boa essa parceria, porque as bandas que vivem de forma independente precisam muito dessa junção”, afirma Renato. Exemplo disso, é o show que a Muddy Brothers fará no Rio de Janeiro, em dezembro, ao lado da banda norte-americana Radio Moscow e da brasileira Grindhouse Hotel. O evento é resultado de uma parceria com a produtora carioca Abraxas.

Próximos trabalhos
Mesmo tendo acabado de lançar um EP, a banda não para de produzir: das cinco músicas presentes em “Seasick”, o grupo pretende lançar videoclipes de três. “Podem até achar exagero, mas são três músicas que a gente gosta muito. Como se cada um da banda escolhesse uma música que mais gosta”, conta Renato. A ideia é lançar um por mês para que, em janeiro ou fevereiro, os músicos já comecem a se dedicar ao seu segundo álbum.

Quem sabe o novo trabalho não inclua o som do contrabaixo? “No som que a gente faz, numa pegada mais anos 70, o baixo é muito ativo. Então, tivemos que adaptar as músicas pra guitarra. [...] A gente tem ideia de colocar uma pessoa tocando baixo na banda, até pro meu irmão [Will] ficar livre pra criar, fazer solos”, afirma Renato.

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