Conteúdo Paralelo: uma mistura entre o rap, o jazz e o soul

Criado em 2004, o grupo lançou recentemente seu disco de estreia, o “Protótipo #1: Mundo da criação”, seguido de seu primeiro videoclipe. Conheça!

O ano era 2004. O lugar, Serra Dourada. Submerso no mundo do rap, do graffiti e do skate, Fredone decidiu começar a rimar, praticando o improviso nas horas vagas. E foi aí que a história do grupo Conteúdo Paralelo começou a ser escrita. “Decidi participar pela primeira vez de uma batalha de MCs e ganhei. Gostei da experiência e fui participando, ganhando grande parte das outras que participava. Acho que isso chamou a atenção do L.Brau, que me convidou para criar um projeto de Rap”, conta Fredone.

Quatro anos depois, Ren entrou para o time e completou a atual formação do Conteúdo Paralelo. Unindo o rap ao jazz e ao soul, as músicas do grupo falam de assuntos como o tempo, a rotina na cidade e diversos outros aspectos da vida humana.

“Entendemos que podemos fazer uma música a partir de um tema simples, como a vida cotidiana, ou a partir de um filme, ou até mesmo sobre algo mais cientifico e filosófico. Além disso, priorizamos sempre a ‘mensagem’ nas músicas e que nas entrelinhas sempre haja um conteúdo a ser entendido ou decifrado”, afirma Ren. E Fredone complementa: “É algo que só se completa na cabeça do outro e que nunca vai ser interpretado da mesma forma por todos”.

Primeiros trabalhos
O ano de 2014 foi produtivo para o grupo. No dia 23 de dezembro, os rappers lançaram seu primeiro disco, a mixtape “Protótipo #1: Mundo da criação”, que também está disponível para audição gratuita na internet. Neste trabalho, as vozes de Fredone e Ren foram misturadas a sons e instrumentais produzidos por outros artistas e recriados por L. Brau.

“Esse trabalho é um reciclo sonoro, resultado de pesquisas que temos feito há anos e que foi se formando com o passar do tempo e com o amadurecimento do grupo. Fizemos uma seleção de instrumentais que estão em discos de jazz-rap que a gente ouve”, conta L. Brau. A mixtape é uma espécie de colcha de retalhos. Das influências do grupo, tem de tudo um pouco: músicas de MPB, jazz, trechos de filmes, além de scratches e colagens feitas com outras músicas de rap que ficaram por conta dos DJs LD Fli e Dandão.

“A ideia era pensar no disco como uma linha, como um filme, e fazer com que as faixas se interligassem dando seguimento e fluidez ao disco. Seria muito simples apenas gravar em cima de instrumentais como estavam e colocar uma música depois da outra, mas decidi ressignificar essas criações e transformar em algo novo com minha identidade e direção musical”, explica L. Brau, responsável pela gravação, mixagem e masterização das músicas.

Entre os trechos de filmes selecionados estão algumas falas do longa-metragem “O Contador de Histórias”, de Luiz Villaça, que conta a história do pedagogo Roberto Carlos Ramos. Segundo Ren, esse disco é apenas uma prévia do que está por vir, por isso o título “Protótipo #1”. “É como um produto em fase de teste, pois temos a intenção de lançar trabalhos mais completos e elaborados que este. Enumeramos a mixtape, porque temos a intenção de lançar outras no decorrer da nossa caminhada”, diz.

“Mundo da Criação”, além de ser o subtítulo do disco, é também uma das músicas presentes na mixtape. “O Ren começou a escrever a ‘Mundo da Criação’ há uns sete anos e acho que foi a primeira que fizemos e que cantamos juntos. Sempre gostei do nome da música e acho que a ideia que ela trás influencia muito a gente na escrita e no conceito geral desta mixtape”, conta Fredone.

Novo videoclipe
Nos últimos minutos de 2014, o grupo divulgou o videoclipe da música “Contando as Horas”, presente na recém-lançada mixtape. O clipe foi totalmente produzido, dirigido e editado pelos próprios rappers, que gravaram todas as imagens com uma Kodak Zi8, uma câmera de bolso.

“Pesquisamos alguns vídeo feitos com ela e gostamos do que vimos. Compramos e fizemos as primeiras imagens há mais ou menos um ano. As últimas fizemos no mês passado. Não tínhamos e ainda não temos tanta experiência com roteiro, filmagem, edição etc., mas metemos a cara e fizemos.  Temos mais um clipe finalizado e estamos trabalhando em outros quatro” conta Fredone. A ideia é fazer um videoclipe para cada faixa do novo disco, usando sempre a mesma câmera para capturar as imagens.

Cenário independente
Todo esse trabalho do Conteúdo Paralelo tem sido feito de forma independente. O rappers estiveram envolvidos desde a produção geral do primeiro disco à edição e divulgação do primeiro videoclipe.

“Sempre me identifiquei com o ‘Faça-você-mesmo’ da filosofia Punk. Gosto da ideia de autonomia e sempre digo que o modo como fazemos é o ‘derrubar tudo no peito’. São ensinamentos da periferia”, afirma Fredone. E Ren acrescenta: “Nossa proposta é desafiante, mas gratificante também. Pois com todo esse trabalho manual, artesanal, criamos algo concreto, um trabalho que nos deixa mais satisfeitos e realizados”.

O grupo acredita que tem ainda muito caminho pela frente e não desanima diante das dificuldades encontradas no cenário musical independente do estado.  “Vemos no Espírito Santo qualidades que nos motivam, como a musicalidade regional, artistas que se destacaram a nível nacional, a atmosfera cultural e a geografia. O fato do ES não ser um estado em que o mercado musical seja promissor, não intimida a gente! Viemos do nada, com um saldo negativo a reverter. Seria fácil desistir. [...] Se o ES é tipo uma periferia do mercado musical, estamos no lugar certo: é a partir daqui que vamos crescer, expandir e chegar a outras partes deste mundo tão grande. [...] O centro é a menor parte do todo!”, afirmam os rappers.

Para saber mais sobre o trabalho do grupo, acesse http://conteudoparalelo.com/.

Nenhum comentário:

Postar um comentário