Ponto de Cultura une jovens à comunicação em Vitória

A agência de comunicação Varal desenvolve diversas ações formativas em Itararé, a fim de contribuir para o desenvolvimento das potencialidades da região

Um ponto de cultura é uma entidade, pública ou privada sem fins lucrativos, que agrega agentes culturais para articular e impulsionar ações em suas comunidades. Não há um modelo único de ponto de cultura, nem de instalações físicas, nem de programação ou atividade. Há, porém, uma característica comum: a gestão compartilhada entre poder público e a sociedade civil. Exemplo disso é a Varal, um ponto de cultura e agência de comunicação, que há três anos atua no bairro de Itararé, em Vitória.

“A Varal nasceu em 2011. Nós mandamos um projeto para o Ministério da Cultura, pela Prefeitura de Vitória, em 2010, para o programa Cultura Viva, que beneficia pontos de cultura. Nós concorremos e fomos contemplados. A ideia é ser uma agencia de comunicação, formar moradores para gerar produção de comunicação para essa comunidade”, explica Geisiane Teixeira, jornalista e atual coordenadora da Varal.

O Ponto de Cultura Varal promove diversas atividades formativas e, também, presta serviços na área de comunicação. Produção de texto, diagramação, fotografia e audiovisual são algumas das áreas da comunicação social abordadas em diferentes oficinas. A participação é voltada, prioritariamente, para moradores do Território do Bem – apelido carinhosamente dado a Poligonal 1, que engloba os bairros Itararé, Bairro da Penha, São Benedito, Jaburu, Floresta, Bonfim, Consolação e Engenharia. Mas, segundo Geisiane, caso haja vagas ou os temas abordados não sejam de interesse das comunidades, não há problema em abrir para participação de moradores de outros bairros. E sobre o número de participantes, a coordenadora afirma: “A gente não mensura quantidade, prefiro 10 que aprendam a 100 que não aprende nada”.


“A gente também presta serviço para algumas instituições parceiras na área de comunicação, como forma de geração de renda. Por exemplo, realizamos recentemente uma oficina de fotografia em uma escola, contratados por uma empresa”, conta a coordenadora. Além de Geisiane, a equipe da Varal é formada pelos técnicos em Desenvolvimento Comunitário do Ateliê de Ideias, Valmir Dantas e Cosme Santos, e pelos bolsistas Jeferson Louis e Thais Gobbo. O projeto conta, também, com a assessoria de comunicação e marketing de Sheila Nogueira, da Rummos Assessoria Pesquisa e Avaliação.

“A gente acredita que se a comunidade conhecer as potencialidades do território vai ver o que pode melhorar”, conta Geisiane. Com esse objetivo, a Varal apoia os moradores na produção de um jornal comunitário sobre o Território do Bem, o Calango Notícias. “Na agência todo mundo se ajuda, todos fazem um pouco de cada atividade, desde ajudar em uma oficina, participar das ações da comunidade, desenvolver trabalhos para os clientes que nos contratam até fazer relatórios, ajudar na organização da casa etc.”, afirma Thaís Gobbo, que entrou como participante da Varal em 2012 e é bolsista lá desde o ano passado.

A agência acabou por aproximar os jovens do Território do Bem às diversas áreas da comunicação, dando-os uma perspectiva de que carreira seguir. Os bolsistas Jeferson Louis e Thais Gobbo são exemplos disso. Segundo Geisiane, Jeferson já afirmou que seu futuro é trabalhar com web design. E sobre Thaís, a coordenadora afirma “Thaís se descobriu fotógrafa aqui”.

Mesmo morando na comunidade há 19 anos, Thaís nunca teve tanto contato com o Território do Bem como está tendo agora. “A Varal me proporciona trabalhar com duas coisas que gosto muito, a fotografia e o Território do Bem, seja com os comércios, com o jornal Calango Notícias, com a comunidade de forma geral e principalmente com a fotografia”, conta Thaís.

Ela ainda destaca uma importante característica da agência: a criação de oportunidade para todos e todas. “Todas as oficinas na área de comunicação que acontecem na Varal são totalmente gratuitas, não são cursos profissionalizantes mas várias participantes tiveram oportunidades e já desenvolveram trabalhos com remuneração depois da oficinas”, afirma.

O ponto de cultura tem sede em Itararé, Vitória, e é hoje um local para troca de conhecimentos e desenvolvimento de novas ideias. “A Varal é um espaço da comunidade, está aberta. As pessoas podem usar a Varal. Então, sempre tem gente aqui fazendo alguma coisa”, conta Geisiane.

Nenhum comentário:

Postar um comentário