Projeto Lendo na Calçada comemora dois anos neste sábado

O evento acontece todo primeiro sábado do mês em frente ao Ateliê Casa Aberta, na Rua Sete, no Centro de Vitória
 
Troca de livros, contação de historias, oficinas de artes, lançamento de livros e muitas outras atividades na edição comemorativa do Lendo na Calçada, que acontece neste sábado (4), a partir das 10h, no Centro de Vitória. O projeto, que completa dois anos de existência, é uma iniciativa da estilista e produtora cultural Stael Magesck e é realizado todo primeiro sábado do mês na Rua Sete de Setembro, em frente ao Ateliê Casa Aberta.

A manhã começa com a troca de livros que conta com um vasto acervo do ateliê e continua com uma maratona de uma hora de contação de histórias. Às 11h, haverá uma oficina de xilogravura com literatura de cordel, coordenada pela arte-educadora Geanna Abreu. O almoço começa a partir das 12h, ao som do músico e compositor Pedro Novelo. Além disso, haverá exposição da artista plástica Carmen Bridi e da artista Analucia do Rosário.

Lendo na Calçada
A ideia do projeto surgiu quando a bibliotecária Eugenia Magna procurou Stael para realizar uma banca de troca de livros na Casa Aberta, como parte de um projeto itinerante desenvolvido pela Prefeitura de Vitória. “A proposta era essa mesmo, de troca de livros. Foi muito bacana, deu muita criança, foi super gostoso. E eu fiquei com aquele desejo [...] Percebi também que a gente tinha como agregar um público muito vasto, não só crianças. Aí, passou um tempo e a Eugenia me procurou novamente”, afirma Stael, proprietária do Ateliê Casa Aberta. A ideia era dar continuidade ao projeto de troca de livros, incentivando a leitura, porém de maneira independente.

A fim de atrair o público e os moradores para conhecerem melhor o espaço da Casa Aberta e participarem da iniciativa, Stael decidiu realizar o projeto em frente ao seu ateliê, daí o nome “Lendo na Calçada”. “Eu pensei logo em continuar na calçada e em dia de sábado, porque é um dia de feira. É um dia que as pessoas vêm buscar seus alimentos. E aí que não sejam só frutas, verduras e legumes, mas que possam levar alimento pra alma também, levar livro, cultura, levar arte”, conta.

Desde julho do ano passado, Stael decidiu repaginar o projeto e incluir outras artes no evento, como música e poesia. “Eu achei que, unindo outras atividades, nós iriamos estar trazendo mais pessoas para o Centro. Foi daí que eu tive a ideia de chamar amigos da poesia, da contação de história, da música...”, afirma. Hoje, o Lendo na Calçada não é apenas um evento para troca de livros, ele integra também oficinas de arte, almoço musical e outras atividades.

“[O projeto] cresceu de um jeito que, hoje, o nosso público é 80% de pessoas de fora. Eu até tento falar com o pessoal daqui que isso é pra todo mundo, mas ainda tem uma certa resistência da comunidade. Não sei se eles acham que cultura é só samba. E aí a Casa Aberta entra pra mostrar que nós temos samba, mas a gente tem livro, a gente tem teatro, dança, tem outros estilos de música. Essa é minha proposta, eu enxergo o mundo muito grande, não sei viver de uma coisa só. Me incomoda um pouco essa visão de pensar uma coisa só”, diz Stael.

Pessoas de diversos municípios têm marcado presença no evento, que conta com ações voltadas para todas as idades. “Hoje, eu vejo que tem algo muito maior nisso do que só a troca de livros, que já é muito importante, mas eu percebo que a gente já tá plantando na cabeça dos pequeninhos que tão vindo agora um gosto pelo espaço, pela ocupação do espaço público, pela valorização do Centro de Vitória. Assim como eu que andei aqui minha infância inteira e carrego isso na minha memória, essas crianças vão ter isso”, conta a produtora.

Troca de Livros
A ideia da troca é simples, basta levar um livro para trocar por qualquer outro que esteja à disposição na banca. O acervo é composto pelos livros que o Ateliê Casa Aberta recebe de doação e, também, com os que vão chegando no dia e lá ficando. “A proposta é de troca, mas a gente ganha muito também. Semana passada, eu ganhei três sacolas de um sebo que fechou. Então, o acervo é bem variado tem livro infantil, tem livro de todos os estilos. O único livro que a gente não pega é livro didático. Quanto ao estilos, são todos: policial, romântico, infantil, poesia”, afirma Stael.

 Quem quiser apenas doar livros também pode participar, pois eles podem ter dois destinos: ou ficam na banca para trocas ou são doados para outros espaços que estejam precisando.  “Na hora que estiver sobrando a gente compartilha com pessoas que precisam. A ideia não é ficar só pra gente, é fazer esse livro ter uma circulação mesmo, ele passar por mais pessoas”, explica.

O trabalho é todo voluntário, desde a produção às oficinas e shows. Os gastos são viabilizados pelos próprios moradores e artistas. “O que é legal é que, ao longo desse tempo, a gente já formou um público que é cativo. Então, tem meninos que chegam cedo, às vezes eu ainda tô arrumando a banca e eles chegam com os livrinhos deles. E no outro mês voltam com aquele livro, deixam e levam outro”, conta Stael.

Casa Aberta
O Ateliê Casa Aberta Espaço Moda & Arte é um casa rosa, localizada na Rua Sete de Setembro, sempre muito movimentada. Por lá, passam diversos artistas com suas exposições, shows, produtos artesanais, poesias e entre outras expressões culturais. Com o objetivo de fomentar a moda e a arte capixaba, o espaço funciona também como vitrine para artistas e designers locais para exposição e venda de seus produtos. O horário de funcionamento é de terça a sexta-feira de 12 às 20 horas; e aos sábados, de 10 às 16 horas.

Os eventos lá realizados têm sempre o objetivo de difundir a produção artística local, além de procurar oferecer ao público uma alternativa de lazer fora dos circuitos tradicionais de festas na Grande Vitoria.

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